Esta é a história de uma espada que nasceu na forja e passou a representar um momento marcante da história recente do Brasil.
Nesta página, reunimos a história da sua criação, os acontecimentos relacionados à espada e os registros que ajudam a preservar e documentar sua trajetória.
O objetivo deste projeto é apresentar os fatos, imagens, documentos e testemunhos relacionados à Espada Pro Libertate, organizados de forma cronológica e transparente.
Ela surgiu de forma espontânea, em um momento difícil. Eu atravessava uma depressão profunda e carregava uma tristeza que sentia ser compartilhada por muitos brasileiros naquele momento.
Fui para a forja sem um projeto definido. Minha intenção era colocar para fora, através das marretadas, toda aquela tristeza e angústia que eu carregava.
Da maneira que sempre gostei de forjar, uni dois aços diferentes, dez camadas de cada um, intercalando-as. Caldeei o conjunto no calor de 1.300 °C e, na bigorna, estiquei e dobrei o aço em quatro. Caldeei novamente, dobrei em duas metades e, então, acrescentei um terceiro aço entre as duas partes. Caldeei novamente e estiquei todo o aço, trabalhando-o no fogo e na bigorna até formar uma longa barra de aço sólido.
Mas, enquanto o aço era aquecido e golpeado, algo começou a mudar dentro de mim.
A tristeza foi desaparecendo. No lugar dela surgiu uma força que eu não esperava: uma vontade renovada de lutar, de seguir em frente e de buscar um Brasil melhor.
E então a espada começou a tomar forma.
Não havia sequer um desenho pronto. Eu simplesmente trabalhava o metal, golpe após golpe, deixando que a forma surgisse.
Era como se eu fosse apenas uma ferramenta, e ela já soubesse o que queria ser.
Foi dessa conexão, entre o fogo, o aço e um sentimento de transformação, que nascia nossa Espada Pro Libertate.
O FORJAMENTO DA ESPADA
(novembro de 2022)
Depois daquele primeiro momento de transformação, o trabalho deixou de ser apenas uma forma de aliviar a tristeza. O aço começou a ganhar uma direção.
Sem um desenho pronto e sem saber exatamente qual seria o resultado final, o ferreiro continuou trabalhando. A cada aquecimento, a cada golpe de marreta e a cada nova transformação do metal, uma forma começava a surgir diante de seus olhos.
Não havia um projeto para ser seguido. Havia apenas a intuição de que aquela peça precisava continuar existindo.
Durante os dias seguintes, o trabalho se tornou intenso. O aço era novamente levado ao fogo, aquecido até atingir o ponto necessário e retirado para receber os golpes que pouco a pouco definiriam sua forma.
O que antes era apenas uma grande quantidade de aço começou a se transformar em uma lâmina.
E, enquanto a espada tomava forma, algo também havia mudado dentro do ferreiro. A tristeza que o havia levado à forja já não era a mesma. Em seu lugar surgia uma sensação de força, propósito e esperança.
A cada etapa, ele percebia que não estava simplesmente fabricando uma espada.
Estava transformando em aço aquilo que sentia naquele momento.
Quando finalmente começou a reconhecer a silhueta de uma espada, veio a certeza de que aquela obra precisava representar algo maior do que o próprio homem que a havia criado.
Ela deveria representar a liberdade.
Assim nasceu o propósito da Espada Pro Libertate: transformar em uma única peça de aço os sentimentos de um período difícil e a esperança de que a liberdade, mesmo quando parece ameaçada, jamais deve deixar de ser defendida.
A espada ainda não estava pronta. Mas sua história já havia começado.
A FORMA COMEÇA A SURGIR
(novembro 2022)
A partir daquele momento, cada golpe passou a ter um propósito mais claro. O aço já não era apenas matéria-prima: começava a revelar a forma que, até então, não existia, nem na imaginação do ferreiro.
O trabalho continuou por muitas horas. O metal era aquecido, golpeado, novamente aquecido e moldado pouco a pouco. Cada etapa exigia atenção, paciência e força.
Aos poucos, a lâmina começou a ganhar suas linhas definitivas. O que havia começado como uma simples barra de aço transformava-se em algo que carregava um significado muito maior.
Mais do que fabricar uma espada, aquele trabalho se tornou uma forma de reconstrução. Enquanto o aço era transformado pelo fogo, pela marreta e pela força das mãos, algo também se transformava dentro daquele que a forjava.
A espada começava a representar aquilo que ele próprio buscava naquele momento: força para continuar, coragem para enfrentar as dificuldades e esperança de que ainda era possível transformar a realidade.
Mas ainda havia um longo caminho pela frente.
A lâmina precisava ser refinada, ganhar seu equilíbrio, receber o tratamento térmico e, finalmente, assumir a aparência que permitiria revelar aquilo que havia dado origem à sua criação.
O aço já tinha sido transformado. Agora começava a nascer o símbolo.
Mas a espada ainda não estava pronta. O que havia sido moldado no fogo precisava agora passar por uma das etapas mais importantes de sua criação: o tratamento térmico.
Era o momento em que o aço receberia as propriedades que dariam à lâmina sua resistência e sua capacidade de cumprir aquilo para o qual estava sendo criada.
O FOGO QUE DÁ FORÇA AO AÇO
(novembro 2022)
Com a lâmina já formada, chegou o momento de transformar aquele aço em algo capaz de suportar os esforços para os quais havia sido concebido.
O tratamento térmico foi realizado em três etapas: normalização, têmpera e revenimento.
Primeiro veio a normalização, para aliviar as tensões acumuladas durante o forjamento e refinar os grãos do aço. Era como preparar a lâmina para aquilo que ainda estava por vir.
Depois, a têmpera trouxe o endurecimento. O aço, levado à temperatura adequada e então resfriado, adquiria uma nova estrutura e a dureza necessária para se tornar uma lâmina resistente.
Mas a espada não poderia ser apenas dura. Uma lâmina destinada a enfrentar impactos também precisava ter tenacidade, resistência e elasticidade.
Foi então realizado o revenimento. Essa etapa aliviou as altas tensões deixadas pela têmpera e devolveu ao aço o equilíbrio necessário entre dureza e flexibilidade.
A intenção era que a lâmina pudesse enfrentar o impacto, ceder quando necessário e voltar à sua posição, sem perder suas propriedades.
O fogo havia moldado sua forma.
Agora, também havia moldado sua força.
A lâmina estava pronta para seguir adiante.
A LÂMINA GANHA SUA FORMA
(novembro 2022)
Com o tratamento térmico concluído, a lâmina já possuía a resistência necessária. Mas ainda não possuia a forma definitiva de uma espada.
Foi então que o trabalho seguiu para a lixadeira.
Ali começou uma nova etapa: retirar cuidadosamente os excessos de aço, corrigir as linhas e refinar cada detalhe da lâmina.
Pouco a pouco, o que antes era apenas uma peça de aço forjada começou a revelar uma espada de verdade.
A geometria da lâmina precisava encontrar o equilíbrio entre suas proporções, seu peso e sua função. Cada passagem da lixadeira retirava uma pequena quantidade de material, mas aproximava a peça daquilo que eu passei a visualizar.
Não era mais apenas uma questão de dar forma ao aço. Era encontrar, dentro dele, a forma da espada.
E, naquele momento, a Espada Pro Libertate começava finalmente a revelar sua identidade.
A ESPADA GANHA SUA IDENTIDADE
(dezembro 2022)
A alma da espada estava pronta.
A lâmina havia encontrado sua forma, seu equilíbrio e sua força. Restava agora dar corpo e identidade àquilo que havia nascido do fogo.
A tristeza e a angústia deram lugar a uma energia de esperança, coragem e determinação, e ao desejo de contribuir para um Brasil mais justo e próspero.
Parti então para a fabricação da guarda, da empunhadura e do pomo, elementos que completariam a estrutura da espada e dariam a ela sua presença definitiva.
Cada peça foi confeccionada e ajustada manualmente, buscando harmonia entre a lâmina, o conjunto e a maneira como a espada seria empunhada.
Aos poucos, aquela peça de aço que havia começado como uma ideia tornava-se finalmente uma espada completa.
Faltava apenas uma coisa: gravar no aço aquilo que ela representa.
AS PALAVRAS QUE DERAM SENTIDO À ESPADA
(dezembro 2022)
Chegou o momento de gravar no aço aquilo que havia inspirado sua criação.
Escolhi o latim porque ele é a língua que está na raiz de grande parte da nossa tradição cultural e da própria língua portuguesa. Além disso, suas palavras carregam uma força histórica que combina com aquilo que a espada representa.
No pomo, gravei: PRO LIBERTATE (Pela liberdade)
Na lâmina: PER POPULUM OMNIS POTESTAS A DEO (Todo poder vem de Deus pelo povo)
A frase expressa a ideia de que o poder não pertence ao governante por si mesmo, mas tem sua origem em Deus e sua manifestação na vontade do povo.
Na guarda, duas inscrições completam essa mensagem:
OMNIA POSSUM IN EO QUI ME CONFORTAT (Tudo posso naquele que me fortalece)
ET VERITAS VOS LIBERABIT (E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará)
Cruz da Ordem de Cristo. O símbolo remete às origens portuguesas e à história das grandes navegações, estando presente em símbolos associados à formação histórica do Brasil.
Assim, cada inscrição e cada símbolo passou a ocupar seu lugar.
A espada já possuía forma, força e identidade.
Agora, finalmente, possuía uma mensagem.